E quando, alguns anos depois, com a realização da “Expo 98”, se procedeu à recuperação da zona oriental da cidade, à descoberta das belezas do rio até então entaipadas pelo Porto de Lisboa, à melhoria de acessibilidades, ao nascimento de novos bairros agradáveis e bem cuidados, e a alguma reabilitação do património degradado, uma grande esperança na renovação da cidade invadiu a população de Lisboa.
No entanto, ao olharmos hoje para o nosso bairro e zona envolvente, aparece-nos um bairro descaracterizado, desordenado, sujo, ruidoso, inseguro, com trânsito e estacionamento caóticos, servido por um sistema de transportes públicos insuficientes, e ainda mais com a supressão da carreira 105, atravancada por obras que se eternizam, e, em consequência, cada vez mais afastada dos objectivos acima traçados.
A cada passo, encontram-se passeios esburacados, espaços verdes inexistentes, ervas daninhas proliferando pelo espaço público em geral, dejectos de cães, papéis, cartões e caixas de papelão, sacos de plástico, pastilhas elásticas (a cuspidela moderna), espalhados um pouco por toda a parte, a distribuição de publicidade em papel que vai directa ao chão, paredes dos prédios cheias de gatafunhos (grafites), revelando uma falta de limpeza deplorável e um descuido consentido do cidadão, revelador da má formação cívica de uma boa parte dos nossos vizinhos.
A enumeração dos problemas mais sentidos seria longa, todavia a ocupação do espaço dos peões pelo estacionamento ilegal sobre os passeios não pode ser esquecida. Este facto, constitui uma falta de respeito pelo peão que vê serem ocupados, sem alternativa, os seus espaços próprios de circulação, provocando dificuldades acrescidas quando se trata de cidadão com deficiência. Os passeios deformados pela passagem de camiões porque não cabem na estrada, e pelas aberturas repetidas de valas mal compactadas das concessionárias da utilização do subsolo, são justamente criticadas. Há que responsabilizar os prevaricadores.
Por tudo isto, os problemas consequenciais sobre as populações, em especial nos domínios da mobilidade, da segurança, da qualidade de vida e da vertente económica, são demasiado pesados.
Não existe plano ou ordem.
Tudo é regido pela lei da ilegalidade, da mediocridade e do abandono.
Assim é a nossa realidade …
Autor: Rui Barreiros





Concordo plenamente com tudo o que dizes, mas não te podes esquecer que não é só o nosso bairro. Quando nas últimas eleições para a presidência da CML, o candidato vencedor é eleito por uma parte da população que cabia no Estádio do teu querido clube e depois vem gritar vitória, quando se tivesse um mínimo de dignidade nem devia aceitar o lugar. Quem te diz que os LIsboetas não fazem de propósito e sujam a cidade porque eles ( os politicos ), não cuidam dela.
Um abraço. Parabens.