Li na última edição do Jornal da Junta da nossa freguesia de Marvila que está constituído um “Conselho Marvilense” com as “principais instituições de Marvila”.
À primeira vista achei uma iniciativa muito interessante, sabendo que se trataria de um conselho e não de um concelho. Mas lendo melhor o artigo reparei que afinal a Freguesia de Marvila não termina junto ao Tejo (melhor… no limite do Porto de Lisboa) mas sim na linha de comboio… isto na melhor das hipóteses, pois além dos bairros Lóios, Amendoeiras e Condado pouco parece existir… talvez seja a continuação do famoso deserto da margem sul…
Não quero com isto dizer que quem está no referido conselho não deva estar, antes pelo contrário. O que acontece é que muitos outros também deveriam estar e não estão. Porquê? Simples: terão sido convidados? Ao que sei de vários casos: Não! E se fossem estariam presente? Ao que sei de vários casos: Sim! Então porque razão não há representação do Centro de Saúde, Esquadrão, SEF, Casa do Concelho de Cinfães, Mansão de Santa Maria de Marvila, Paróquia de Marvila, SPEM, Coro Lisboa Cantat, CASL (Mitra), Teatro Meridional, Santa Casa da Misericórdia – Domingos Barreiros? (apenas para citar os que ficam abaixo das 2 linhas de comboio). Certamente porque não são importantes… que interessa as patrulhas que a GNR faz a cavalo? Que interessa um Centro de Saúde numa freguesia? Que interesse tem dialogar com a Polícia de Estrangeiros e Fronteiras numa freguesia como a nossa? Que interesse tem a Mansão e CASL e SPEM que juntas têm mais de 400 utentes residentes e outros tantos em centro de dia e domiciliário? Que interesse tem a uma paróquia que ajudou a nascer a freguesia (já agora: freguesia = filii Ecclesiae = Filhos da Igreja) e que deu o orago a toda a Freguesia: Santo Agostinho e que é um dos 2 edifícios classificados (o outro é o convento de S. Félix de Chelas que também não tem representação)? Que interesse tem um coro de nome reconhecido ou um teatro como o Meridional? Que interesse tem a Sta. Casa – Domingos Barreiros e as suas crianças?
Nenhuma destas instituições é das “principais instituições de Marvila”. É natural… aqui já não é Marvila…
Mas não são só estas instituições que estão de fora… AMI, Cais, Escola Afonso Domingos e outras escolas, Lar Casa de S. Vicente, Lar quinta das Flores, PRODAC, Várias Casas de Concelho, várias associações de moradores, outras paróquias e instituições religiosas, outras confissões religiosas, várias associações recreativas, culturais e desportivas, as Juntas Regional e de Núcleo do CNE, bem como 2 agrupamentos de escuteiros, várias instituições nacionais de pessoas com deficiência de vária ordem, várias instituições de solidariedade social, Arquivo Militar, GEBALIS e Fundação D. Pedro IV (para o bem e para o mal…), todas estão de fora (certamente também posso ter esquecido algumas, peço desculpa). Não são importantes.
Uma outra questão: serão as instituições com assento representativas da sua área na freguesia? Isto é, será que os centros sociais se juntaram e elegeram o seu representante, bem como as paróquias e confissões religiosas, ou os lares (estes não, que nenhum está representado) bem como as universidades, ou os clubes, ou as associações de moradores, etc?
Tenho pena que uma coisa que poderia ser muito enriquecedora para uma freguesia como a nossa seja, na sua génese, tão redutora e parcial.
A nossa freguesia tem muitos problemas de vária ordem. A nossa freguesia é muito fragmentada, seria bom que nos uníssemos e não criássemos mais problemas e fracturas. Por mim estarei pronto, como sempre estive, a trabalhar num projecto sério e verdadeiro e credível, mas nisto… assim não…
Autor: Miguel Proença





Viva, Miguel
Artigo excelente e oportuno. Também fiquei chocado com as posições da nossa Junta de Freguesia, pela escolha dos intervenientes no “Conselho Marvilense”. Quando diz que “a Freguesia de Marvila não termina junto ao Tejo (melhor… no limite do Porto de Lisboa) mas sim na linha de comboio… isto na melhor das hipóteses, …” complementa perfeitamente o que escrevi sobre “A realidade do Nosso Bairro”. Há zonas de Marvila completamente esquecidas, ao abandono…
Os meus parabéns ao autor pelo excelente desabafo …