Trás Fósforos

Uma chama que não se apaga!

A Bela e o Monstro

O bairro Trás Fósforos, é dos bairros mais pacatos e simpáticos que conheço. Claro que, como qualquer bairro tem os seus prós e os seus contras. Ontem, dia 8 de Julho de 2008, foi um dos dias em que fiz a experiencia do que há de melhor e de pior entre vizinhos.

Comecemos pela “Bela” : Quando temos alguma coisa que já não nos faz falta, mas que pode ser proveitosa a outro, procuramos esse alguém para entregar essa coisa. Foi o que fizeram o simpático casal D. Maria de Fátima e Sr. António Rodrigues da mercearia da Capitão Leitão, ao oferecerem uma arca congeladora à Paróquia de Marvila que muito penhoradamente agradece. Este equipamento irá ser de grande utilidade para diversas actividades sociais, culturais e de convívio que a paróquia organiza. (Eles que me desculpem de tornar assim público o seu nobre gesto feito com tanta simplicidade, humildade e discrição)

O “Monstro” surgiu logo depois deste gesto altruísta e de boa relação de vizinhança. Ao querermos estacionar a carrinha para poder tomar alguma coisa na referida mercearia sem atrapalhar o transito, vimos que havia um lugar junto à oficina de arquitectura “Capinha Lopes e Associados”, que não atrapalhava a entrada, nem está assinalado como reservado. Logo atrás da carrinha estava um Mercedes topo de gama que se prontificou a apitar nervosamente e a indicar que não podíamos estacionar ali… com a atrapalhação o meu colaborador arrancou com a carrinha em busca de outro lugar enquanto eu permaneci no passeio. Sem me dar tempo de desviar, o Mercedes, arranca de imediato, galga o passeio e avança, por sorte minha e sorte maior dele, não me mandou ao chão apesar de me ter tocado. Desviei-me e lá estacionou no lugar virtualmente seu. Sem querer qualquer diálogo saindo do carro desata em jaculatórias: “ Fod… estes Cab… são um atraso de vida. Filhos da Put…! A Mer… deste país está cheio destes Cab…! Fod…! Car…!” E de imediato se refugiou no seu castelo.  Estupefacto só tive a capacidade de dizer, em desabafo: “o que vale é que o dinheiro não dá tudo…”

E realmente não dá… a “Bela” pode não ter dinheiro, mas tem nobreza de coração. O “Mosntro” pode ter dinheiro, mas nada mais…

Autor: Pe. Luís Leal

2 Comentários »

  Elsa Reis wrote @

Sem dúvida, há casos em que quanto mais formação académica algumas pessoas têm, pior é a formação cívica…
Também uma pessoa da minha família foi alvo dessa mesma falta de civismo… Ao estacionar sem incomodar as entradas e saídas dos funcionários do finissimo atelier de arquitectura, foi a minha mãe apelidada de “p…..”!
Moro nesta rua há 16 anos, e há quem cá tenha vivido toda uma vida… Estes senhores chegaram aqui e convenceram-se que a rua é deles, tomando de assalto todos e quaisquer lugares de estacionamento a que os moradores desta rua têm “direito” só por terem esta qualidade: moradores! Não satisfeitos, ainda se arrogam do “direito” de ofender e injuriar quem sempre aqui viveu… Nem entre vizinhos alguma vez tal falta de respeito se verificou!!!

  A. Jorge S. Poço wrote @

Depois de não ter havido qualquer resposta ao Abaixo-assinado remetido à entidade camarária competente, e do qual foi dado conhecimento ao Senhores Presidentes da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, pelos moradores da Rua José Domingos Barreiros, revoltados e indignados pelas atitudes de prepotência e desrespeito, quer para com os seus elementares direitos, – recordo que os moradores foram proibidos de estacionar as suas viaturas à porta das suas residências, em benefício das empresas de serviços que há poucos anos se instalaram nesta artéria – quer mesmo pelas violações de diversas disposições regulamentares de várias Leis – Cargas e Descargas, Código da Estrada – a que diariamente é possível assistir nesta rua, um profundo desânimo se abateu sobre os seus residentes a par com a descrença nas instituições que, de acordo com a Lei, sendo órgãos representativos da vontade dos seus munícipes, sobrepõem os interesses do capital, às pretensões dos seus eleitores.
O Sr. Arquitecto, o Sr. Gerente, o Sr. Administrador, o Sr. Empresário e toda a estrutura laboral que os rodeiam e que todos os dias úteis da semana tomam de assalto as ruas do nosso bairro, não são, provavelmente, eleitores desta freguesia. Eles poderão impor a sua vontade, na Freguesia onde residem e onde votam.
Como se dizia antigamente “Para lá do Marão mandam os que lá estão”, também nós, residentes e eleitores da Freguesia de Marvila, temos o direito de exigir que a nossa vontade (evidentemente dentro do quadro legal) seja respeitada.
Saudações amigas.


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