Trás Fósforos
Uma chama que não se apaga!Toponímia
Rua Capitão Leitão
Era vulgarmente conhecida pelo nome de Rua António Maria Tavares.
A Rua Capitão Leitão, atribuída em 1915 recorda o chefe militar da Revolução de 31 de Janeiro de 1891. António Amaral Leitão foi condenado a 20 anos de degredo pela sua participação nesta Revolução e enviado para Angola, conseguindo fugir. Em 1893 foi amnistiado por decreto, encontrando-se, então, no Brasil.
Rua Afonso Annes Penedo
O topónimo Rua Afonso Annes Penedo foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Deliberação Camarária de 18/03/1909.
Um tanoeiro, Afonso Annes Penedo, interpela os Estados, reunidos em 1383, numa das sessões camarárias da época: «Que estais vós outros cuidando? Duvidas de convir no que consentem todos? Tendes por ventura, outro que não seja o Mestre de Aviz que vos defenda do poder castelhano? O certo é que já nisto não pareceis portugueses». O homem do povo falava por este e, mais particularmente, pelos da sua classe, na defesa de uma liberdade comprometida e de direitos inexistentes. O novo rei, D. João I, assim apoiado pela arraia miúda, que muito se estruturava nestes homens dos ofícios, não fez mais que chancelar esta vontade que sentia subjacente, dando-lhe forma e regulamento. Dela nascia a Casa dos Vinte e Quatro, a 16 de Dezembro de 1383, em reuniões realizadas junto da Igreja de S. Domingos, onde o Município então decidia. Ali se estabeleceu que «houvesse vinte e quatro homens, dois de cada ofício, destinados para o bom governo da cidade, do que procedeu chamar-se esta junta a Casa dos Vinte e Quatro».
Foram estes homens que elegeram, como seu primeiro juiz do povo, o tanoeiro Afonso Annes Penedo, que tão bem defendera a sua causa e a do Mestre.
A instituição da Casa dos Vinte e Quatro fez-se sobre doze ofícios que elegiam em Dia de S. Tomé, 21 de Dezembro, dois homens bons, de mais de quarenta anos, representantes de cada um dos mestres. As corporações destes ofícios também se denominavam bandeiras, e nelas existíamos cargos de juiz de paz e procuradores de mesteres que se encarregavam de levar até à presença real as petições do povo, assinadas pelos vinte e quatro membros do organismo.
Os mesteirais tiveram assim direito a arruados próprios e muitas honras e isenções. Com representatividade nas Cortes (Terceiro Estado) o Juiz do Povo passou a ser um magistrado de peso, sem o qual dificilmente se moveriam as massas populares. Sorteados para os pelouros, votavam com os vereadores eleitos, embora não tivessem alvedrio além do que respeitava aos seus ofícios e às despesas citadinas. Aos procuradores dos mestres cabia «lembrarem e requererem, em Câmara, as coisas do bem público da cidade e do povo dela e eram nulas todas as resoluções não estando eles presentes, salvo quando faltavam sem causa justificada»…
Esses oficiais, mecânicos ou mesteirais, tiveram representação em todos os actos do reinado de D. João I em que o povo devia manifestar-se. Assim deveriam continuar, acompanhando com mais ou menos vivacidade todos os acontecimentos grandes do reino, até metade do séc. XIX.
Na luta que opôs o infante D. Pedro à rainha viúva de D. Duarte, que daria mais tarde ocasião ao desastre de Alfarrobeira, o povo reuniu no refeitório de S. Domingos e lá se leu o acordo dos vereadores para tal designados pedindo-se a todos que dessem o seu parecer sobre o caso sujeito. Um alfaiate, Diogo Peres, bradou logo que nada tinham que lhe dizer e que estavam prontos a cobrir de assinaturas o acordo em tudo conforme com as intenções populares. De novo foram ouvidos os procuradores da Casa dos Vinte e Quatro.
Na aclamação de D. João II, figuram no auto, como testemunhas presentes a este, Pedro Anes, escudeiro, o escrivão das vendas, Domingos Rodrigues e Domingos Ferreira, tanoeiro, além de muitos outros. É de notar a importância que ganhava a tanoaria na vida portuguesa desde que Afonso Anes Penedo subira a juiz do povo.
Após uma calamitosa perseguição aos cristãos-novos, a quem se atribuiu a peste que grassava na cidade, D. Manuel que se encontrava em Beja, ordenou severa punição dos culpados do massacre. Em causa a negligência de Anes da Silva, regedor da Casa da Suplicação que se não impusera suficientemente durante os trágicos acontecimentos.
Foram pois castigados os vereadores e outros edis. Lisboa deixou de ser «nobre e leal» e extinguiu-se a Casas dos Vinte e Quatro porque, de algum modo, tinham contribuído para a incúria. No entanto, a pedido de sua Esposa D. Maria, o rei revogou o castigo e Lisboa voltou a ser a leal cidade, com o restabelecimento dos ofícios.
No reinado de D. João III as Corporações dos Mesteres, grémios de mecânicos, tomaram novo aspecto, organizando-se em bandeiras com os seus patronos.
A cabeça da irmandade de S. José eram os pedreiros com carpinteiros e ofícios correlativos. Logo os outros mesteres seguiram o exemplo, incorporando-se nas procissões com o pendão ou bandeira do seu patrono. Assim Santo Antão era dos almocreves; S. Miguel, dos sombreireiros e seus anexos; Nossa Senhora da Conceição, dos correeiros; S. Crispim, dos sapateiros; S. Pedro dos curtidores; S. Jorge, dos barbeiros e sangradores…
Durante Nunes de Leão fora encarregado de escrever o «regimento» de oficiais mecânicos «da mui excelente e sempre leal cidade de Lisboa, reformados por ordenança do Ilustríssimo Senado dela». Aí se regulava o tempo e método de aprendizagem, a forma dos exames para oficiais e as qualidades dos examinados. Eram já mais de duzentos mesteres arregimentados e outros livres, embora sujeitos à fiscalização camarária sob os almotacés, isto é, os verificadores dos dízimos.
Rua José Domingos Barreiros
Informação em análise.
Rua do Açucar
Informação em análise.




